Apesar da dor nas pernas que o calçamento de pedras causa, apesar da lentidão do atendimento em todos os restaurantes, apesar da superlotação, apesar das pessoas posando de intelectuais, apesar das celebridades televisivas roubando a cena, Paraty tem sempre um charme.
Pensar que mais de 30 mil pessoas rumaram para a cidade e participaram de eventos voltados para a literatura dá certo alento. Ainda assim, nem tudo são flores.
Estive na Flip em 2007 e 2009 e cada vez mais me parece que o evento virou um grande ôba-ôba. As pessoas compram ingressos para todas as mesas sem nem saber se vão poder ir e mesmo sem conhecer os autores (convenhamos, é muito pouco provável que alguém conheça e se interesse pelos participantes de todas as 19 mesas). Mas essa não é nem minha principal crítica.
Há a fetichização da literatura, o desejo de "ver de perto" os escritores na tenda e pelas ruas, mas isso é compreensível. Os leitores se tornam fãs e não há nada demais nisso. O problema é quando os mediadores e os próprios autores se tornam fãs.
Assisti as mesas Deus, um Delírio (com Richard Dawkins), Sequências Brasileiras (a mesa fetiche, com Chico Buarque e Milton Hatoum), Entre Quatro Paredes (com Sophie Calle e Grégoire Bouillier; esta, do lado de fora da tenda do telão) e Fama e Anonimato (com Gay Talese). Entre todos os autores, foram os que eu não conhecia que mais me agradaram.
Dawkins mostrou propriedade ao falar de suas ideias sobre darwinismo e ateísmo e talvez tenha sido tão interessante justamente porque não li nada dele. Hatoum e Chico trocaram elogios e gracejos, mas o amazonense brilhou muito mais e articulou melhor suas ideias sobre literatura e escrita. Calle e Bouillier fizeram de sua DR pública uma ótima discussão sobre a relação entre arte e vida. Ela se revelou interessantíssima - louca, brilhante, como queiram - e ele, coadjuvante, quase a ofuscou (veja alguns trechos abaixo). Acabei comprando livros de ambos. Talese quase decepcionou, mas grande parte da culpa foi de Mário Sérgio Conti, que fez perguntas óbvias e conduziu a conversa por assuntos já explorados de forma excessiva pela imprensa.
De maneira geral, os mediadores foram excessivamente corteses e os autores não estavam muito dispostos a debater ideias, apenas expuseram aquilo que seus leitores assíduos já sabiam de cor. De qualquer maneira, para mim o saldo foi positivo pelo simples fato de conhecer novos autores. Aliás faço uma sugestão: na próxima Flip, assista apenas as palestras de quem você não conhece.
Pensar que mais de 30 mil pessoas rumaram para a cidade e participaram de eventos voltados para a literatura dá certo alento. Ainda assim, nem tudo são flores.
Estive na Flip em 2007 e 2009 e cada vez mais me parece que o evento virou um grande ôba-ôba. As pessoas compram ingressos para todas as mesas sem nem saber se vão poder ir e mesmo sem conhecer os autores (convenhamos, é muito pouco provável que alguém conheça e se interesse pelos participantes de todas as 19 mesas). Mas essa não é nem minha principal crítica.
Há a fetichização da literatura, o desejo de "ver de perto" os escritores na tenda e pelas ruas, mas isso é compreensível. Os leitores se tornam fãs e não há nada demais nisso. O problema é quando os mediadores e os próprios autores se tornam fãs.
Assisti as mesas Deus, um Delírio (com Richard Dawkins), Sequências Brasileiras (a mesa fetiche, com Chico Buarque e Milton Hatoum), Entre Quatro Paredes (com Sophie Calle e Grégoire Bouillier; esta, do lado de fora da tenda do telão) e Fama e Anonimato (com Gay Talese). Entre todos os autores, foram os que eu não conhecia que mais me agradaram.
Dawkins mostrou propriedade ao falar de suas ideias sobre darwinismo e ateísmo e talvez tenha sido tão interessante justamente porque não li nada dele. Hatoum e Chico trocaram elogios e gracejos, mas o amazonense brilhou muito mais e articulou melhor suas ideias sobre literatura e escrita. Calle e Bouillier fizeram de sua DR pública uma ótima discussão sobre a relação entre arte e vida. Ela se revelou interessantíssima - louca, brilhante, como queiram - e ele, coadjuvante, quase a ofuscou (veja alguns trechos abaixo). Acabei comprando livros de ambos. Talese quase decepcionou, mas grande parte da culpa foi de Mário Sérgio Conti, que fez perguntas óbvias e conduziu a conversa por assuntos já explorados de forma excessiva pela imprensa.
De maneira geral, os mediadores foram excessivamente corteses e os autores não estavam muito dispostos a debater ideias, apenas expuseram aquilo que seus leitores assíduos já sabiam de cor. De qualquer maneira, para mim o saldo foi positivo pelo simples fato de conhecer novos autores. Aliás faço uma sugestão: na próxima Flip, assista apenas as palestras de quem você não conhece.

3 comentários:
Bem interessante o balanço da FLIP. Eu vou todo ano. Este ano, porém, tive uns problemas para resolver e não deu para ir. Legal o blog - achei-o pelo twitter.
obrigada, Leonardo. Continue visitando!
Nat quanto tempo... q saudades! vc saiu da Folha? queria te perguntar sobre aquele seu trabalho literário... se deu certo e se vc poderia me mostrar como ficou, hipercuriosa eu. bjs Ana
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