segunda-feira, 17 de agosto de 2009

sobre a insignificância

Em meio a estudantes de todas as nacionalidades, ser o único representante do Brasil significa ser chamado a dar alguns esclarecimentos. Surpreendentemente, eles nada têm a ver com samba ou futebol, mas o primeiro é bastante banal: não, nós não falamos espanhol. Na verdade, o que chamou minha atenção foi o que veio em seguida: nossa moeda é forte? Quanto vale em relação ao euro e ao dólar? Bem, parece que, em comparação a muitos outros países (Rússia, Ucrânia e Israel, por exemplo), nossa moeda é bem forte. Sei que seria incompleto dizer só isso e esquecer que pagamos impostos absurdos e que a renda de grande parte da população não alcança os cem dólares.
E como o Brasil está se saindo diante da crise econômica? O que devo responder? Que, entre mortos e feridos, salvaram-se todos (ou quase)? Que os mais afetados foram as classes mais pobres e as exageradamente ricas? Que a economia já começa a se recuperar? É óbvio que falta aí um dado essencial: nossa taxa de crescimento já era ridícula antes da crise e o tombo não poderia ser tão grande.
Mas o verdadeiramente curioso nesses questionamentos não é o interesse na economia brasileira. É outra coisa. Por mais que se alardeio no Brasil nossa crescente importância na geopolítica mundial, nossa posição de potência regional e emergente, por mais que Obama diga a Lula que ele “é o cara”, o resto do mundo está cagando para nós. Ignoram nosso papel na geopolítica, não sabem que Lula se considera um grande líder mundial e nem fazem idéia de quem ele seja, desconhecem que estamos entre as dez maiores economias do mundo e que São Paulo é uma megalópole com quase 20 milhões de habitantes na área metropolitana (a maior cidade das Américas e maior do que qualquer capital européia).
No “velho mundo”, continuamos insignificantes.

5 comentários:

Unknown disse...

posso fazer uma provocação?
seria a dinamarca (ou a europa) "o resto do mundo"? para os países da nossa região, o brasil conta, sim, como potência, por vezes, opressora. o trem, pra mim, volta aos trilhos de certo modo quando você diz, ao final, "velho mundo".
beijos e boa viagem!

Natalia disse...

provocação x provocação! claro que você pode fazer uma! na verdade, o que eu estava querendo mostrar é que a ignorância sobre o Brasil ainda prevalece fora da América. e, também, que humildade não faz mal a ninguém e é bom lembrar de vez em quando que há vários países para os quais a nossa existência não é capital. mas eu entendo o que você quer dizer. e até estava explicando isso a ucraniana que me perguntou qual era o pais mais importante da América Latina. beijo, querida!

Unknown disse...

que bom que você está tendo esse tipo de conversa! só de não ter que explicar que não andamos todos de tangas... acho que terás meses muito produtivos por aí. beijocas, continue mandando notícias e fotos!

Vanessa Moiseieff disse...

Acha que isso vai mudar? Mudar para onde?

Vanessa Moiseieff disse...

Ah, é verdade! Vc poderia postar fotos.... Na verdade os textos já ilustram completamente o que tem a dizer. Mas além da imaginação, o que seria legal conhecermos?